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Produtores pressionam por aprovação do PL 1769 para garantir mais cacau no chocolate

Produtores pressionam por aprovação do PL 1769 para garantir mais cacau no chocolate

Por Fernanda

19 de março de 2026

Entidade afirma que aumento do teor de cacau nos chocolates é essencial para valorizar a produção nacional e corrigir distorções no mercado. 

A Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) criticou o relatório do Projeto de Lei nº 1.769/2019, votado na Câmara dos Deputados na última terça (17), por não contemplar integralmente as propostas apresentadas pela entidade em defesa dos produtores, especialmente da agricultura familiar. Embora o texto trate do aumento do teor de cacau nos produtos classificados como chocolate, a avaliação é de que o relator, deputado federal Daniel Almeida (PCdoB), deixou de fora pontos considerados essenciais para corrigir distorções no mercado e garantir impacto real na cadeia produtiva. O texto agora retorna ao Senado para nova votação, devido às alterações feitas pelos deputados.

Para a ANPC, o ponto central do debate está na própria definição do que pode ser chamado de chocolate. O cacau é obtido a partir da transformação das amêndoas — mais especificamente de seus cotilédones, que, após processos de fermentação, secagem e processamento industrial, dão origem aos derivados utilizados na fabricação de chocolate. A ausência de uma definição clara na legislação abre espaço para a descaracterização do produto e para a redução do uso desse ingrediente essencial.

Entre as propostas em discussão, destaca-se a emenda que redefine legalmente o chocolate, estabelecendo que o produto deve conter, em matéria seca, no mínimo 35% de sólidos totais de cacau, sendo ao menos 18% de manteiga de cacau e 14% de sólidos de cacau, além de limitar a até 5% o uso de outras gorduras vegetais. A proposta também elimina a denominação “chocolate intenso”, substituindo-a por um critério técnico único.

Outra emenda relevante determina que produtos que utilizem substitutos ou sucedâneos do cacau não poderão utilizar as denominações “cacau” ou “chocolate”, nem expressões que induzam o consumidor a erro quanto à sua composição, reforçando a transparência e a proteção ao consumidor.

Segundo a presidente da ANPC, Vanuza Barroso, o projeto, na forma atual, não resolve o problema central. “Nós, produtores, estamos sendo penalizados por um modelo que permite a redução do uso de cacau sem transparência ao consumidor. Sem a incorporação das nossas propostas, o projeto não atende quem está na base da produção”, afirma. A entidade sustenta que a redução do uso de cacau nas formulações tem derrubado a demanda pela amêndoa, mesmo com o consumo de chocolate em alta.

O tema é acompanhado pela Associação Comercial da Bahia (ACB), que reforça a importância de que o texto final reflita as demandas da base produtiva. Para a presidente da entidade, Isabela Suarez, o momento exige atenção do Parlamento: “O fortalecimento da cadeia do cacau passa, necessariamente, pela valorização do produtor, especialmente o de menor escala, que sustenta grande parte dessa atividade no país. Em estados como a Bahia, onde a produção de cacau tem forte impacto na economia, é fundamental que a legislação avance, garantindo maior proteção para quem está na base da cadeia e evitando distorções que acabam afetando justamente quem mantém essa atividade.”, afirmou.

Impacto na principal data do setor

A preocupação dos produtores cresce especialmente às vésperas da Páscoa, período que tradicionalmente impulsiona o consumo de chocolate no país. Para a cadeia produtiva, a data deveria representar também maior valorização do cacau.

No entanto, segundo os produtores, observa-se um paradoxo no mercado: a demanda pela amêndoa de cacau diminui, enquanto o consumo de chocolate permanece elevado. Vanuza Barroso destaca ainda que o preço final pago pelo consumidor não acompanha essa redução no uso do ingrediente principal. “Hoje, um ovo de Páscoa custa praticamente o mesmo que uma arroba de cacau, equivalente a 15 quilos do produto, cerca de R$ 130. Ou seja, usam menos cacau, mas o preço para o consumidor continua alto”, pontua.

A ANPC defende que a aprovação do projeto com regras claras para definição de chocolate e uso correto das denominações é fundamental para restabelecer o equilíbrio da cadeia, garantir transparência ao consumidor e promover a valorização da produção nacional.

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