Impactos da pandemia no comércio são discutidos em live de A TARDE
Por Luana
09 de março de 2021
Atualizado em 09 de março de 2021
O A Tarde Conecta promoveu, nesta segunda-feira, 8, a mesa-redonda “Impactos da pandemia e das restrições no setor empresarial e no Comércio”, com a mediação do jornalista Osvaldo Lyra e presença do presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Mário Dantas, do vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Felipe Sica, e do advogado especialista em reestruturação empresarial, Washington Pimentel.
O debate acontece em um momento em que governantes adotam uma nova rodada de medidas restritivas em resposta ao avanço da Covid-19 em todo o país, com registro de alta de casos e demanda por leitos de UTI. Na Bahia, o governador Rui Costa (PT), com apoio de prefeitos, decretou o fechamento de atividades não essenciais até o próximo dia 15 e toque de recolher das 20h às 5h da manhã que segue até o final do mês.
Para o presidente da ACB, Mário Dantas, as medidas restritivas acontecem em um momento de “fragilidade das empresas”, que, de acordo com Dantas, passaram por momentos críticos no ano passado, e agora temem uma onda de quebradeira no setor.
“A gente está muito preocupado com as medidas restritivas. As empresas estão no limite. O comércio foi muito afetado no ano passado. Tivemos um ensaio de retomada das atividades, mas agora voltamos novamente à estaca zero. Não é choro de empresário, é algo sério, há um desespero no setor.”, afirmou Dantas, que pediu apoio dos governantes às empresas: “O governo precisa salvar as empresas. São as empresas que geram empregos e tributos das pessoas físicas.”
O vice-presidente da CDL, Felipe Sica, defende o retorno imediato das atividades comerciais. Segundo Sica, o comércio formal não foi um espaço de proliferação da Covid-19. “A CDL é contra o lockdown. Houve, sim, um grande apoio de nossa parte no início da pandemia, porque achávamos que era necessário. Depois de um ano, temos bastante dados que indicam quais são os locais onde têm a maior proliferação do vírus, e não foi no comércio onde o vírus proliferou.”, argumentou.
Para Sica, se o comércio não retomar as atividades, os efeitos serão “devastadores” para economia do estado. “É necessário sensibilizar a sociedade que as empresas estão praticamente sem nenhum recurso para manter os empregos dos funcionários. A gente precisa que o governo tome medidas para que as empresas não descontinuem suas atividades. Se não retornarmos às atividades, os efeitos serão devastadores”, avaliou.
VacinaçãoDurante o debate, foi consenso que a vacinação em massa seria a medida mais efetiva para salvar vidas e a economia. “A gente vê com muita preocupação o processo de vacinação aqui no país. Muitos países já têm o processo de vacinação avançado e puderam retomar as atividades econômicas. Aqui não seria diferente. A saída para que se possa preservar a vida humana e os negócios é a vacinação “, afirmou Mário Dantas.
Para o advogado Washington Pimentel, a vacinação da população seria a única saída para a retomada da economia. “A única solução que essa retomada [econômica] aconteça, ainda que de maneira lenta, é a vacinação”.
“Precisamos reabrir urgentemente para que possamos manter os empregos. A situação está cada vez mais alarmante do ponto de vista econômico. Apoiamos a vacinação em massa, e isso tem que ser cobrado de todos os entes federativos”, afirmou Felipe Sica.
Retorno EscalonadoO governador Rui Costa afirmou, nesta segunda-feira, 8, que o retorno do comércio deve acontecer de forma escalonada no estado, o que permitiria a retomada das atividades econômicas de maneira gradual e sem causar aglomeração nos transportes públicos.
A medida foi aprovada pelo setor empresarial, de acordo com Mário Dantas, que participou de uma reunião nesta segunda-feira, 8, com representantes do governo do estado e da prefeitura.
“A atividade empresarial formal tomou todas as medidas de prevenção ao contágio. Nós temos a convicção que o comércio e empresas formais não são agravantes para a doença. Temos a percepção de que o impacto do trabalho formal nos transporte público é um fator crítico para o contágio”, pontuou Mário Dantas.
“A prefeitura e o governo do estado propuseram o escalonamento. Eles têm informações dos trabalhadores do setor produtivo, quais horários eles saem e entram no transporte público. A saída para evitar essa aglomeração nos horários de pico é o escalonamento.”, destacou.
ContrapartidasO advogado Washington Pimentel avaliou que falta previsibilidade ao setor empresarial nesta nova rodada de medidas restritivas. De acordo com Pimentel, no início da pandemia, as empresas receberam contrapartidas do governo e prefeituras, o que não está acontecendo neste segundo momento.
“Neste segundo ciclo de restrições a gente vai enfrentar dificuldades ainda maiores, porque não se teve contrapartidas para as empresas, e a gente começa a enxergar uma quebradeira. No início da pandemia, tivemos benefícios, incentivos, flexibilidade, o que fomentou a esperança, e os empresários superaram aquela fase difícil, mas 2021 infelizmente a crise volta novamente, e a gente não enxerga nem no discurso nem no planejamento algo que ofereça aos empresários instrumentos para manter os negócios e empregos.”, afirmou.
Para Felipe Sica, é necessário uma “repactuação da situação tributária das empresas”. “É necessário o refisco das dívidas que foram contraídas no passado [2020] e que continuarão acontecendo dada a lentidão da retomada econômica. Só dessa forma conseguimos manter os empregos diretos. Não houve contrapartida tributária para o período de fechamento de atividades. Todos os impostos e taxas continuam a ser cobrados e não houve nenhuma sinalização sobre o que seria feito em relação a isso”, explicou.
Jornal: A Tarde

