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Simples Nacional e a necessidade de estabilidade para micro e pequenas empresas
Simples Nacional e a necessidade de estabilidade para micro e pequenas empresas
18 de março de 2026
Atualizado em 19 de março de 2026

Foto: Roberto Abreu
Por Isabela Suarez
Artigo publicado na Coluna ACB em Foco do Jornal A Tarde, em 18 de março de 2026
As micro e pequenas empresas formam a base da economia brasileira. Elas representam cerca de 99% dos negócios formais do país e têm papel fundamental na geração de renda, na dinamização da atividade econômica e na sustentação de milhares de famílias em todas as regiões. É um segmento que impulsiona o crescimento, estimula a formalização e contribui de forma decisiva para o desenvolvimento.
Foi justamente para garantir condições mínimas de competitividade a esse perfil de empresa que o Simples Nacional foi criado. O regime simplificado reconhece que micro e pequenos negócios possuem menor capacidade de absorver custos, maior dificuldade de acesso a crédito e dependem de um ambiente regulatório estável para se manter ativos. Ao reduzir a burocracia e unificar tributos, o Simples se consolidou como um dos principais instrumentos de estímulo ao empreendedorismo no Brasil.
Nos últimos meses, no entanto, ganhou força um debate que levanta dúvidas sobre a estabilidade das regras aplicáveis às micro e pequenas empresas. Um novo entendimento sobre a incidência de imposto de renda na distribuição de lucros de empresas optantes pelo Simples Nacional coloca em discussão condições que sempre foram consideradas parte essencial do regime diferenciado.
Ainda que a discussão esteja no campo técnico, seus efeitos são concretos. Micro e pequenas empresas operam com margens mais estreitas e dependem de previsibilidade para organizar o fluxo financeiro, planejar investimentos e manter suas atividades. Quando surgem mudanças na interpretação das regras ou incerteza sobre a forma como a legislação será aplicada, o impacto é imediato e tende a atingir justamente quem tem menor capacidade de adaptação.
A estabilidade das normas é um fator decisivo para a continuidade desses negócios. Insegurança jurídica aumenta custos, dificulta o planejamento e compromete a confiança de quem empreende. Em um país que ainda enfrenta elevados níveis de burocracia e complexidade tributária, preservar a simplicidade e a previsibilidade do Simples Nacional é fundamental para manter o ambiente de negócios minimamente viável para os pequenos.
Diante desse cenário, a Associação Comercial da Bahia tem acompanhado o tema de forma próxima e decidiu atuar para defender a segurança jurídica das micro e pequenas empresas. A entidade ingressou com mandado de segurança coletivo questionando o novo entendimento tributário e tem participado ativamente do debate institucional, por entender que alterações dessa natureza precisam ser discutidas com responsabilidade e com atenção aos seus efeitos econômicos.
A defesa do Simples Nacional não se limita à preservação de um regime tributário específico. Trata-se de proteger um instrumento que permite a formalização, incentiva a atividade produtiva e sustenta a maior parte dos negócios do país.
Garantir estabilidade para micro e pequenas empresas é garantir estabilidade para a própria economia.
E preservar regras claras para quem começa pequeno é condição essencial para que o Brasil continue gerando oportunidades, renda e desenvolvimento.
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